Sopa é uma das pouquíssimas coisas que sei cozinhar. Acho que eu seria capaz de comer sopa todos os dias, da mesma forma que fazemos com arroz e feijão. Eu adoro sopas! A que eu faço costumo chamar de sopa de legumes, embora inclua, majoritariamente, tubérculos em sua composição. Já me disseram que inhame fica muito bom numa sopa. Oportunamente, lembrei-me disso dias atrás, quando estava fazendo compras no mercado. Eu nunca tinha visto um inhame, então, procurei pelo nome. Um dos balcões de verduras possuía uma divisão com uma etiqueta dizendo “inhame”. Levei apenas um (de bom tamanho) para experimentar. Em casa, planejei fazer uma sopa com “inhame” e mais nenhuma outra hortaliça, evidenciando, assim, o sabor. Ao descascá-lo, senti um cheiro que me lembrou gengibre. Perguntei-me se, taxonomicamente, o inhame e o gengibre compartilhariam um mesmo ramo hierárquico. Eu não sabia a resposta para essa pergunta, mas não podia ignorar a similaridade do cheiro. Diante disso, decidi reduzir a quantidade de “inhame” pela metade e acrescentar algumas batatas para suavizar o sabor. Então, coloquei primeiro as batatas e o “inhame” para cozinhar. Não cronometrei, entretanto receio que tenha deixado no fogo por 40 minutos: eu queria o “inhame” e as batatas bem macios. Precisei acrescentar mais água à panela para compensar a que se perdia na ebulição. Conforme aprendemos, a matéria no estado gasoso tem forma e volume variáveis, tendendo a ocupar todo o espaço disponível de onde está contida. Amparado pela física, aquele vapor descongestionante que saía da panela fez da minha cozinha uma espécie de sala de inalação. O “inhame” ainda não estava tão macio quanto as batatas, mas eu já não agüentava esperar mais. Sendo assim, coloquei o macarrão e aguardei somente o tempo necessário para cozinhá-lo antes de devorar meu monstro gastronômico. Entretanto não consegui comer tanto quanto gostaria. A coriza e o desconforto em meu paladar, causados pelo picante sabor da sopa, foram mais fortes que minha voracidade.
Dias depois, eu conversava com o pessoal do trabalho a respeito de comida e contei-lhes sobre minha última sopa. Eu tinha o intuito de trocar experiências e descobrir se aquele sabor era normal ou se eu havia cometido algum erro (quem sabe, no modo de preparo). Eles me perguntaram como era esse “inhame” e eu o descrevi de acordo com a foto aqui apresentada, a qual ilustra uma porção equivalente à utilizada na receita. Então, eles me advertiram que, muito provavelmente, eu comprara gengibre, não inhame. Isso (e não uma eventual semelhança botânica) explicaria o gosto e o cheiro de gengibre. Considerei o assunto como encerrado e concludente quando mostrei ao meu irmão, formado em Biologia, o restante do ingrediente marcante utilizado na sopa. Era, deveras, gengibre!
Isso me faz lembrar um episódio do Chaves, onde ele vende sucos. O meu caso, no entanto, trata de uma sopa de batatas que parece de inhame, mas tem sabor de gengibre.
