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terça-feira, 1 de julho de 2008

Essa lei seca é um porre

A Lei Seca está repercutindo. Segundo ela, quem for flagrado dirigindo com qualquer concentração de álcool no sangue, será multado em R$955,00, suspenso para dirigir por um ano e ganhando "de brinde" sete pontos na carteira. "Mas, espere" (como dizem aqueles caras da Polishop): porque se você estiver com 6 decigramas de álcool por litro de sangue, será preso, podendo ficar detido por até três anos! Só nesse último fim-de-semana, a Polícia Rodoviária Federal prendeu 189 motoristas, embriagados por esse Brasil, numa empreitada chamada de "Operação Grau Zero". Se computarmos a partir do dia 20/Jun, quando a lei foi sancionada pelo Lula, o número de presos sobe para quase 300. Em São Paulo, a discussão vai parar nas mesas de bares, quase que de forma literal: há donos de estabelecimentos que afirmam sentirem sensível queda no movimento dos seus. Inclusive, alguns cogitam a possibilidade de efetuarem parcerias com empresas de vans, a fim de levar os boêmios para casa. Já na outra face da moeda, há taxistas rindo à toa.

Na contramão
Isso me faz lembrar uma ocasião na qual, se eu fosse abordado pela polícia, seria incluído nessas estatísticas. Eu tinha saído com uns amigos e estava indo embora sozinho. Já próximo de casa, ao virar numa esquina, me deparei com uma viatura da polícia, que vinha bem no meio da rua. Indignado, pensei: "Esses caras deveriam dar o exemplo! Quem eles pensam que são para dirigirem pelo meio da rua?" (um típico bêbado confiante e cheio de razão). Logo em seguida, notei que estava sendo seguido pela mesma viatura. Então, pensei: "Esses bastardos implicaram com alguma coisa; será que eu fiz merda?" (num rompante de sobriedade, o bêbado começa a desconfiar que algo está errado e é algo que diz respeito a ele próprio). Em menos de um mês, recebi uma notificação e tudo fez sentido: eu havia trafegado pela contramão! Exatamente: na rua onde os policiais dirigiam bem no meio eu não poderia ter seguido no sentido em que fui, o que explica a "perseguição". Como eu havia bebido um pouco, tive sorte por eles não me pararem... E mais sorte ainda por não vigorar a lei seca nessa ocasião.

Amnésia
E agora lembro-me de outra ocasião, que poderia ser uma forma para beber e voltar tranqüilo para casa. Coincidentemente eu estava acompanhado dos mesmos amigos referidos na situação anteriormente relatada. Marcamos a casa da Borghi como ponto de encontro antes de partirmos para a balada. Até a casa dela, cada um foi com o seu carro, porém, nos agrupamos e usamos menos carros antes de prosseguir: eu fui de carona com o Fernando. Na volta, quase perto da minha casa, de carona com o Fernando, recebo uma ligação da Borghi:
- Onde você está?
- Calma, baby, estou chegando em casa...
- Então eu ganhei um carro?
Coloquei a mão no bolso e notei que havia algo errado: eu estava com a chave do carro, mas não estava com o carro.
Há mais informações...

É melhor prevenir
Há quem diga que a lei valerá apenas para quem bebe "51", deixando impune a patota do "Johnnie Walker", o que, na verdade, mantém o padrão informal da legislação brasileira. Outros alegam que não há infra-estrutura suficiente para fiscalizar e garantir a aplicação da lei. Por outro lado, os números até o momento mostram um certo empenho em fazer valer a lei. Independente se as punições serão deveras efetivas, eu não prentedo abusar, até porque, creio que eu seja um alvo fácil. Eu não entendo nada sobre o índice de álcool no organismo, mas imagino que, para um "peso-pena" como eu, basta meio bombom de licor para eu pagar uma multa.

Autor do cartoon: Tute
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